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A quem pertence, e quanto custa a notícia?


“Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça” Isaías 41:10

Marcos Dantas

...CONTAGEM REGRESSIVA: DOS 4 ANOS, SÓ LHES RESTAM 2... RESPEITEM A PEQUENA IMPRENSA NAS SUAS CIDADES, POIS A “GRANDE” NEM SABE DAS SUAS EXISTÊNCIAS...

(05.01.07) Entre uma letra e outra eis que surge uma notícia. Estou falando da informação escrita publicada em papel (jornal tradicional) ou nas páginas (sites) virtuais da rede mundial de computadores, a fabulosa, mas, desconhecida (para muitos) a Internet; temida para outros, ferramenta indispensável para uns tantos e porta de liberdade para todos. Mas, e a notícia, o controle desta, a quem pertence? Resposta: pertence a quem se interessa por ela. Pertence àqueles que se sentem mais do que meras criaturas de engrossamento do índice populacional da comunidade em que mora. Sem dúvida que um bom número de pessoas amadureceu no decorrer dos anos e exige notícia de qualidade, no entanto, a maioria prefere continuar “novelado” pois se manter informado é exigir demais para quem já tem o dia para trabalhar e a noite para dormir, ou vice-versa.

“Fazer imprensa” no interior é difícil. Primeiro que, antes do veículo de comunicação servir de canal para levar a informação ao público, ele precisa se manter e sustentar economicamente quem o representa, ou seja, quem o faz existir. Daí, percebe-se que a notícia tem um custo como qualquer produto nas prateleiras seja em uma pequena mercearia ou em exposição no shopping center. Igualmente a quem produz os bens de consumo de primeira necessidade ou supérfluos, e recebem por esse trabalho de produção, quem também produz a comunicação tem o direito sagrado de ganhar pelo que produz. Cabe ao consumidor de informação regular a produção desta que pode ser de “primeira necessidade”, pagando por isso, ou deixar que a “notícia supérflua” ou até mesmo de qualidade inferior lhe chegue com porte pago por “interessados” que, em sua maioria, nada soma para o engrandecimento coletivo.

Para pagar a quem leva notícia, sobram as prefeituras, porém, a maior parte dos gestores não respeita o princípio de liberdade de expressão e, ao acordar com um veículo de comunicação para que veicule algum informativo da referida administração, fica subentendido que, a partir daquele instante o tal veículo fica impedido de explorar qualquer assunto que não seja “determinado” de forma oficial. Até alguns auxiliares da administração se acham no direito de “policiar” e interferir na linha editorial. A solução para que as comunidades possam ter em seu seio uma imprensa livre é pagar pela informação. O comércio deve respaldar o veículo de comunicação com as publicidades, isto se torna uma mão dupla pois acaba investindo no marketing da empresa. Por outro lado, não permite que o meio de comunicação fique a mercê do faturamento oficial que impossibilita de questionar mesmo construtivamente quem o está pagando.

Fora isso, as pessoas poderiam pagar o preço simbólico de R$ 1,00 pelo exemplar do jornal. Isto garantiria a sobrevivência do veículo e mostraria aos mandatários antidemocráticos que eles estão prefeitos e que não são perfeitos a ponto de administrem impecavelmente sem a ajuda crítica de um jornal, por exemplo. E por falar nisso, o administrador precisa colocar a sua mente para pensar e ver que o dinheiro que paga a determinado veículo de comunicação, é público, portando, deve divulgar os atos da administração, mas também deve ser a voz do povo para reclamar aquilo que não vai bem. Não se pode generalizar, mas, pelo menos aqui na região oeste de Goiás, prefeitos e auxiliares acreditam que ao terem contrato com o meio de comunicação, automaticamente, passa a ser “propriedade” destes e que podem determinar o que deve ou não ser publicado, sob pena de corte do pagamento. Fazem a chantagem pois sabem que o povo não pagará pela informação e que o veículo de comunicação precisa de referida verba para se manter... Chega ser macabro, mas é a realidade.

Diante destas circunstâncias só resta perguntar: fazer o quê? Se o direito democrático à informação continua intimamente ligado ao poder econômico. Manter uma imprensa livre sem algum grupo ou pessoa pagar, é quase impossível. Fazer existir uma imprensa atrelada, viciada ao molde feudal chega ser repugnante. O que pode vir a ser a luz no fim do túnel para a imprensa interiorana é o cultivo de uma pauta que explore as políticas públicas, despertando assim o interesse da comunidade que pode começar a valorizar a produção de informação, pagando por esta. Para os que detêm o cargo de mandatário maior nos municípios seria bom que refletissem sobre o direito democrático de bem informar, e que, vossas senhorias querendo ou não, de “biquinho” ou não, mesmo com as dificuldades a mídia alternativa existirá e continuará formando opinião. Começou a contagem regressiva: dos quatro anos, só lhes restam dois... RESPEITEM a pequena imprensa nas suas cidades, pois a “grande” nem sabe das suas existências. (E-mail: jornallocal@jlocal.com.br)


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