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Aragarças: Memória de uma Cidade, berço de um passado histórico


Claudemiro Luz é ex-vereador e presidente da Câmara de Aragarças. Foi agente da Solidariedade Humana (Governo de Goiás), e secretário de Ação Social e Cidadania de Aragarças. Arquivista (da História de Aragarças) por vocação, Claudemiro Luz guarda considerável acervo de fotografias, revistas e recortes de jornais, além de livros contendo informações sobre o Município. Momento da inauguração do Busto do presidente Getúlio Vargas, na Praça do mesmo nome, em frente ao Aeroporto. Canteiro de obras quando da construção da ponte sobre o Araguaia, que levou o nome de Ponte Archimedes Pereira Lima.

(13.06.08) A pequena Vila, denominada Barra Goiana, começava a nascer nas barrancas do Araguaia. Aos poucos os habitantes do povoado foram aumentando, atraídos pelas riquezas minerais da região que margeia o lendário Rio Araguaia, bem como pela fertilidade das terras ribeirinhas. Esses primeiros (?) habitantes tinham como principal meio de subsistência o cultivo de lavoura como arroz, milho, etc., a caça e pesca. Como meio econômico a garimpagem artesanal de diamante se estabeleceu e atraiu garimpeiros, em sua maioria, do norte e nordeste do país.

Em 21 agosto de 1943, chegava à pequena Vila a Expedição “Roncador Xingú” logo transformada em Fundação Brasil Central, comandada pelo Ministro João Alberto que, em missão do Governo Federal tinha por objetivo explorar e povoar Mato Grosso, até o Alto Xingu, atingindo-se assim o sul da região amazônica. Foi em 24 de abril de 1944, pelo Decreto Lei nº 5878 que foi criada a FBC, autarquia subordinada diretamente à Presidência da República (Getúlio Vargas), com amplos poderes para promover a Integração Nacional, iniciada pela então Expedição Roncador Xingú.

Na pequena Vila deu-se início a construção de importantes obras de infra-estrutura. Dentre elas, o hospital Getúlio Vargas, Igreja São Judas Tadeu, Aeroporto, Grande Hotel, Cerâmica, Marcenaria, conjuntos habitacionais da Base Velha, Vila Ceará e o Clube Social de Aragarças (CDL). No dia 6 de dezembro de 1951 foi criado o Distrito de Aragarças, pela Lei Municipal promulgada pelo então prefeito de Baliza, José Jacarandá. Na solenidade, presentes o subprefeito Hermes de Oliveira Costa, o prefeito de Baliza José Jacarandá, o presidente da FBC, Arquimedes Pereira Lima; professora Maria Iranilda Cardoso, vereador e presidente da Câmara de Baliza, Benedito Feitosa; líderes políticos como Francisco Pereira da Costa, José Neves, Zuleide Lira, João Leão Pinto, Belarmino Costa Sobrinho, Raimundo Carneiro de Brito, Pedro Martins de Moraes, José de Barros Souza, José Neves, Benedito Feitosa Mourão e outros.

No dia 2 Outubro de 1953 o então governador de Goiás, Pedro Ludovico Teixeira decreta e promulga a Lei nº 788 aprovada pela Assembléia Legislativa nos seguintes termos:
“Art. 1º É desmembrado do município de Baliza e elevada à categoria de cidade o atual distrito de Aragarças, cujo termo judiciário fica pertencendo a comarca de Baliza.
Art. 2º A sede do município de Aragarças será Vila do mesmo nome, a qual fica outorgado os foros da cidade.
Art. 3º os limites do novo município, até que se promulgue a lei de fixação do Quadro Territorial do Estado, serão o mesmo do atual distrito de Aragarças.
Art. 4 A Câmara Municipal de Aragarças será composta de sete vereadores.
Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação – Governado Pedro Ludovico Teixeira


Seis anos depois da emancipação político-administrativa de Aragarças, houve uma tentativa de golpe contra o governo de Jucelino Kubtschek, a pequena cidade até então desconhecida tornou-se em menos de 72 horas notória em todo Brasil em razão da denominada “Rebelião de Aragarças” que culminou com o primeiro seqüestro de avião da história da humanidade. Deste episódio promovido por oficiais da Aeronáutica, resultou além do seqüestro do avião comercial da Panair do Brasil, o bombardeio de um avião militar no Aeroporto de Aragarças.

55 anos se passaram, e pouco ou quase nada se fez para a preservação da memória do município. O rico patrimônio deixado pela Fundação Brasil Central aos poucos é dilapidado. Investido no poder que me foi dado pelo povo, na condição de vereador 2001/2004, consegui resgatar um dos patrimônios históricos e manter viva a memória do município. O maior desafio para o futuro será resgatar o nosso Grande Hotel, hoje lamentavelmente abandonado pela Funasa. Vale lembrar que este patrimônio é um dos referenciais do município, palco de memoráveis acontecimentos sociais. É nossa esperança ver o Grande Hotel, transformado em um Memorial Histórico e Cultural da cidade, gerando emprego e renda para profissionais da arte e da cultura e, sobretudo criando mais um complexo de atração turística em Aragarças.

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